Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Intermitente estado

Vestida de moral em conflito,
despida de certeza e solidão,
vejo a vida feito prosa
e a verdade feito lampejo
daquele que acaba antes do último suspiro,
como a estrada que muda à cada curva,
como o espelho que reflete diferente imagem
quando nele distinta feição
encara seu (fadado)
destino.

domingo, 18 de junho de 2017

Sobre ser o teu amanhã perfeito, hoje.

Não te afliges, pequena menina
De tão poucos anos e tanto aperto no peito
Não te culpas por sentir demais
Se é o coração feito pra dar vida a tua alma.

Sorri, grande mulher
E vê em espelho teu o reflexo de quem queres ser amanhã
Seja hoje o teu amanhã perfeito
Seja feito prosa, poema ou canção
Quem sabe, ainda, um soneto
Pra quando a vida metrificar
Que ainda assim seja possível
Expressar todo teu amor (guardado)

Por um alguém ou vários
Seja amigo ou amante
De uma noite ou alguns anos
Porque o tempo, menina, já é relativo
E só depende dos olhos teus
A maneira que (a vida) tu desejas
Enxergar.

18/06

Memórias feito prosa

De tantos em tantos tempos de constante transição;
entre cachos feitos e cortados,  desfeitos à mão.
Seria essa vida então construída (de)
lamparinas, varandas e ampulhetas,
sono, socorro e entrelinhas,
de um alguns versos ainda não escritos
[Por sorte (e)
por espera do tempo que ainda vem]
de folhas ainda em branco
esperando da areia que estar por cair
lembranças ainda mais intensas
daquelas que na memória
fazem morada.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Louco

Adj. m. Aquele que vive como se não houvesse amanhã, aceitando o risco de haver.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Mais um ano de presente

Feita de água do mar beijada pelo Sol, ela encanta do mais distraído ao mais preparado dos marinheiros que por descuido encontre seus olhos, que por audácia ache que é imune a seu canto,  por inexperiência de não conhecê-la.
Menina moleca de batom vermelho. Amiga pras horas, minutos e tortas de chocolate, coxinhas e sequilhos.
Pra quando amargam os ponteiros, abrem-se as comportas de choro, desespera-se a alma, ela traz colo, sossego e sinceridade.
Traz potes de tempero e mel, guardados na gaveta até hoje.
Traz dias de moradia, de adoção, de lápis de cor.
Leva um pedaço quando vai, pra gente ir visitar.
Traz Deus no coração, a alma enfeitada e os olhos grandes e negros.
Traz mais um ano de vida, de presente pra gente.
Que sejam muitos outros mais pra que quando a saudade vier visitar, a gente possa ir lá buscar o pedacinho que ela levou.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Tão sutil quanto um coice de mula

Em momento algum desejei tua dor, teu pranto, tuas lágrimas. Em momento algum quis de ti capacho ou contato, porque não há outro que tu sejas pra mim senão quem mais me ama naquela cidade, da fronteira pra lá. Da faculdade à orla, de todos os bares e calçamentos,  de todas as dores e sofrimentos, em memória não há aquele que mais fez por mim, do que tu.
Mas se me perco entre os meus, se redesenho e me ditorço, se minha imagem aos teus olhos muda por segundo é porque sou assim, bagunça e exagero, certeza e aflição. Um tanto de álcool e muito desejo.
Pra ti quero alegria, felicidade, sabedoria, amor.
Mas lembra-te tu és meu irmão e por mais do que obrigação, irei brigar contigo sempre que for, sempre que voltar, porque posso até meu rosto pintar de ser educada, conveniente, para os outros, porém tu sempre terás minha maior sinceridade mesmo que essa venha em outro tom, em outras palavras não tão polidas, mas recobertas de toda verdade.
Eu te amo, porque primeiro tu me amaste. Não porque quis, até porque a primeira vista o que teve foi desdém,  confesso, mas porque tu me conquistaste e de mim, fez tua irmã.
Sou péssima em declarações e falo melhor do outro do que de mim, e se fosse te compor um poema, um verso sincero, seria mais ou menos assim:

Rosas são vermelhas
Violetas são azuis
O meu amor por ti é maior
Do que por um prato de cuscuz

terça-feira, 29 de novembro de 2016

E daqui a dez anos?

O incerto me cativa, me seduz, me conquista, mas nem sempre até ele eu vou. O desejo sem ação fica guardado, cresce ou vira memória e no sótão das ideias ele faz morada, rangendo o piso de madeira, tocando a janela de vidro como galho desritimado, o vento que entra pela fresta da janela, a torneira que começa a pingar de madrugada... me lembrando toda noite de sono que dele nunca esquecerei, que ele não se tornará obsoleto, residente em minha casa sem pedir licença ou permissão.

Como chegar ao norte, mirando o oeste?

De rosa dos ventos quebrada - linhas já traçadas -  de destino demitido e relógio parado, eu cheguei até aqui.

Até aqui, onde?

Até esse texto, até as incertezas, até onde não sei pra onde eu vou mais.

Mas e daqui a dez anos?

...

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Sobre auto liberdade

  Prender-se na própria liberdade é o paradoxo que enfrenta aquele que vomita não precisar de conselhos (e de filtrá-los) por ser sua mente só sua, seu corpo só seu, ignorando a experiência do outro que na tragédia aprendeu o que não fazer.
  Não torna-se livre aquele que ao se ignorar, mendinga, migalha, se submete.

~ CompactoImovel ~

terça-feira, 28 de junho de 2016

Certeza de um futuro sem passado


Não sei sobre o amor,
mas sei sobre gostar.
E não nego, não brinco, escondo ou jogo,
Só gosto.
E só quero que fique quem goste de mim.
Quem queira tudo do fundo da alma.
Porque promessas tornam-se dívidas,
obrigações, se perdem no tempo;
pesam e frustram.
Sobre frustração eu sei,
dispenso.
De ti gosto, mas a espera eu dispenso.
Pra que depois ainda goste.
Pra que não desgoste de mim.
Porque seja quem venha, quem vá,
eu continuarei
e as memórias que terei
serão das decisões que tomei.
Então vá. Porque te gosto vá,
e continuarei gostando em memória,
sem tempo futuro, presente ou depois.
Sem mais, mas ou porém.
Vá  e goste de alguém,
seja de alguém e morra de amor.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Mámemória

       

Sempre perco as referências,
não sei sobre nomes ou autores,
só o que fica é o que disseram.
Sempre esqueço o caminho, quando vou pela primeira vez
não guardo traços ou lugares, me perco, desacompanhada
porque minha mente guarda pouca coisa, algum perfume, uma palavra, uma atitude,
mas no fim ou começo sempre esqueço de algo que jurarei ser importante.
Como não dá pra lembrar de tudo e já sabendo que esquecerei,
posso perguntar  uma, duas ou mesmo três (vezes)
pra que eu não esqueça,
pra que na memória se guarde
e na caixinha das lembranças
se confundam, teu jeito, perfume e tua pele;
pra caso um dia esqueça teu nome
te veja mesmo de olhos fechados,
te desenhe;
te trace;
te verse.