Fúlgido, amor descabido (de lugar)
Uma família. Sagrada para quem não chorou a dor da perda, da promessa, do vestido já comprado ao amarelar no armário. Fraqueza dele, ou escolha? Quem tem forças contra tamanha imposição do mundo como é? Vaidade dela, ou amor? Saberia ela separar? Faz-se necessário escolher? Antes de nascerem, de tantos nascerem, assim já era o mundo, assim foi feito o mundo pelas mãos que encheram navios, teceram correntes, calaram os cantos. Mundo reforçado, ainda hoje, por vozes embebidas em privilégios que não suportam a mudança descendente daqueles que nos cantos jogados, escurraçados de suas casas para serem culpados de serem quem são, exigem seus lugares, de volta, suas vozes. "A pele preta não merece altar, casa e comida" disseram. Anos depois, o que restou? Muitas famílias, frutos da mudança de planos, da união selada em nome de Deus. E o amor deles, onde mora? Quartos separados demarcam o tempo que durou O e se fica no pretérito nunca conjugado. Na história não vivida, como todas as...